Plantio de algodão resiste à seca e é alternativa de agricultores na Paraíba

Em tempos de seca, o plantio de algodão pode ser uma boa saída para os agricultores paraibanos. Uma parceria entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e os agricultores tem tornado o plantio de algodão mais resistente e lucrativo no Estado, garantindo colheita em tempos de pouca chuva, em que outras culturas não estão rendendo bem. 
Na cidade de Gurinhém, no Agreste paraibano, a Emater tem incentivado os agricultores ao plantio de algodão prestando consultorias e oferecendo treinamento. O investimento tem dado retorno. Em 2016, por exemplo, a agricultora Maria das Graças plantou milho, feijão, fava e algodão. De todas as culturas a mais resistente e que rendeu mais foi a de algodão.
“O algodão resistiu ao sol mais que os outros. Os outros eu colhi pouco, cinco ou seis sacas de milho. Feijão deu só uma saca. O que mais fiz foi o algodão”, disse ela.
Com o bom resultado, outras famílias de agricultores do município já estão preparando o roçado para o próximo plantio, este ano. O produtor rural Dionísio Oliveira teve bons lucros em 2016 e já quer plantar algodão novamente. “Eu plantei um hectare e colhi 853 quilos de algodão”, disse ele.
De acordo com a técnica da Emater, Angélica Cassia, o trabalho dos agricultores em parceria com a Emater tem dado certo. “Eles se sensibilizaram, aceitaram a propostas, aceitaram as técnicas de trabalhar com defensivos naturais, pensando no melhor para o meio ambiente. Tivemos o plantio do algodão consorciado com feijão, milho, fava e as barreiras de gergelim para evitar que as pragas viessem mais rápido para o plantio. Quase não tivemos incidência de bicudos e eles [os agricultores] tiveram uma safra muito favorável”, contou ela.
O algodão marcou a história econômica de Campina Grande, no Agreste paraibano, durante o século 20. O produto era bem exportado e chegava a ser chamado de “ouro branco”. Segundo a Emater, em 2016 foram produzidas 15 toneladas de algodão na região e vendidas para indústria têxtil de João Pessoa.
Com esses primeiros novos resultados, o diretor técnico da empresa, Wlamike Paiva, faz planos para exportar algodão, ampliando também a área de plantio e distribuição de sementes para os produtores paraibanos.
“Estudamos e encontramos um mercado muito promissor e aí a gente colocou os agricultores para discutir com esse mercado. Então os representantes da empresa vieram discutir e isso foi muito importante. Através dessa discussão surgiu um contrato de compra e venda com preço justo”, explicou ele.
Ainda em Gurinhém, pelo menos 17 famílias já se preparam para o plantio de algodão em 2017. “A gente espera que este ano o plantio de algodão melhore. A gente tem mudas, produtores e terras para o plantio de algodão”, disse o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais local, Marinaldo da Silva.

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